Já era hora de dizer:
- Não posso calar o que não quer ser calado, na calada da noite, onde intercalamos vigília e sonos!
Saudades, muitas saudades!
Saudade bonita, de vestido de renda em noite enluarada, saudade menina, cheia de energia. Saudade pura e simplesmente saudade.
Saudade agora saudosa!
Escrito por Elis às 21h19
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Eu costumava escrever nessas tardes serenas, olhava os laranjais floridos que a primavera com tanto amor faz nascer e sentia vontade de descrever em palavras o vento trazendo seu doce perfume e cobrindo tudo que tem vida com seu aroma, hoje depois de tanto tempo olhei pela janela, agora distante, do meu trabalho, olhei correndo e parei encantada, saudosa, por pouco nem percebo a beleza de sempre. Por pouco eu não paro, não sinto, não me acalmo.
E apreensiva pensei: vem noite!
Um medo percorreu meu corpo, arrepio devastador, os tempos mudaram penso comigo, eu estou mais triste, mais só, mais incomunicável, incompreensível e já não consigo voltar a ser o que era, eu já não era, já naquela época. E o silêncio.
Um silêncio dolorido, silêncio de carne viva, silêncio de morte. É o tempo silenciando minha alegria.
Sigo meu caminho, cansada, sangrando e suplico: vem noite!
A tarde enche meus olhos, se eu pudesse queria ser esta, tranqüila, linda a cada dia, a cada olhar. Eu seria feliz por trazer a noite, cheia de luz, com brilho nos olhos, traria alento aos corações angustiados, seria a alegria dos amantes, que esperam ansiosos a cumplicidade da lua, eu traria pelas mãos o crepúsculo dos dias.
Então ouviria dos corações: é ela que vem!
Escrito por Elis às 11h54
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Espero a primavera, quero nascer outra vez!
Escrito por Elis às 11h00
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COMO CANÇÃO
O vento que brinca nas melenas da menininha é o mesmo que toca em meu rosto nesta tarde insólita, e ele continua, perpassa por todos caminhos. Caminho que vem, que traz, que leva.
É sempre o mesmo, é sempre triste, duro eufemismo de vida, simples metáfora do cotidiano.
Cotidiano que faz dor, de dar dó.
Dor, aquela que faz nascer, que nunca mata. Dor do nascer, do parto de toda palavra, da prece em cada alvorecer, do querer mais querido. A dor de não ter!
É tanto sofrimento, sorrisos pungentes, morte e vida morrida ou matada na face da mesma moeda, a mesma vida até que dela não haja nenhuma fagulha. E o vento.
Tarde gris, – linda, de inverno sereno e forte - pensamentos percorrendo a estrada da “cuca”, da minha, da sua, eufemismo? Não, realidade nua e crua, pensamentos vem e vão, a maioria em vão! Sem pudor, sem cessar, sem temer.
Difícil o código da vida, mais fácil é pensar em morrer, morte que acaba, descansa, apaga. Mas que sorte teríamos da morte se a vida não invadisse, não nascesse, não fosse o caminho de toda gente.
Vida de dureza maior não há, mas se por ela passamos, privilégio maior, sei bem, não existirá.
É sina eu sei, mas o vento passa – intenso, inigualável - e sempre passará.
Escrito por Elis às 15h58
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NOITES DE ESPERA
Hoje entrei aqui e fiquei a contemplar as folhas secas deste templante, li algumas palavras que até a pouco me pareciam embaralhadas, sem sentido, lembrei da minha história, do meu tempo.
Veio-me à mente a lembrança de um sorriso, sorriso simples, rosto robusto com as rugas mais lindas que a vida já me mostrou, quisera eu ser assim, tão linda, tão simplesmente linda! Engraçado, não recordo sua mocidade, já nasci vendo seus cabelos brancos, uma beleza juvenil diferente.
Tão pouco lembro ter sido tão compreendida como naquela época, a minha época. Como pode uma vida durar um segundo, como pode ser o tempo tão incompreensível?
Ainda tenho aquela sensação universal de que não aproveitei o bastante dela, não a abracei o suficiente, nem ao menos beijei seu rosto até ficar vermelho e vivo pensando com um aperto no peito: eu nunca disse, eu te amo.
Talvez tenha dificuldade de proferir estas palavras, talvez não tenha aprendido a falar, só a sentir.
E num rompante vem à memória aqueles mágicos domingos de missa em que eu me ajoelhava a seus pés, vestia suas meias e abotoava seus sapatos, amava fazer aquilo. Ah...como eu amava, amava sem saber falar amor, sem saber sentir amor, somente amava.
Em algumas noites num instante de lucidez me vejo caída ao chão, olhando o nada, com as meias em mãos, esperando por ela.
Acaso estou errada em esperar por quem amo?
"Ela vai voltar/ vai chegar / e se demorar/ I wait for you..."
Mas ela não vem, onde estará? Será que chora a sorte de sua neta? Chora a dor infinda desta, chora a infelicidade que sopra como o vento em noite de inverno na face dela, sofre pelo fracasso da menina?
Às vezes gosto de vir aqui, mesmo em silêncio trago algumas angústias, aqui sinto-me abraçada, aquecida, amada. Eu a encontro neste vale cheio de lírios, como aquelas tardes de domingo em que ficávamos lado a lado, sentadas no murinho do portão, olhando os casais que passavam pela rua, aqui sinto o perfume dela, vejo seu sorriso, porque pouco ou quase nada vi de suas lágrimas.
Escrito por Elis às 09h29
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